Espedito Seleiro: o mestre que veste o Brasil por dentro - em Nova Olinda (CE)
- Diego Zanotti
- 22 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2025
Mestre Espedito Seleiro vive para ver nenhum segundo se repetir há 84 anos. Como ele mesmo disse, a criatividade é uma força que não acaba nunca. Cada dia jamais se repete, e assim também são suas obras. A honra de conhecer @espeditoseleirooficial deixou no meu coração a inventividade como inspiração poética, estética e de visão de vida. A pesquisa para próxima temporada de Resto de Mundo segue sendo reveladora!
Em Nova Olinda, o coração cultural do Cariri pulsa com força própria. A cidade reúne alguns dos centros mais vivos de preservação e reinvenção das tradições da região, onde memória e futuro caminham lado a lado. A Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri abriu o caminho para compreender a cultura como organismo coletivo: crianças e adolescentes que administram o espaço, tocam rádio, guiam visitas e fazem da própria infância uma forma de gestão da memória — um museu vivo que respira, cresce e se transforma.

Mas o ponto mais luminoso da passagem por Nova Olinda foi o encontro com o Mestre Espedito Seleiro, em seu ateliê e museu orgânico. Espedito é um dos maiores artesãos do Brasil, guardião da tradição da selaria e criador de uma estética inconfundível: couro tingido, tramas ancestrais, símbolos do sertão convertidos em design contemporâneo. Suas peças — sandálias, bolsas, indumentárias, selas — são arquivos vivos de uma memória afetiva do Nordeste, e ao mesmo tempo obras de projeção internacional.
Estar diante de Espedito é estar diante de um artista que transformou um ofício ancestral em linguagem universal. Seu ateliê funciona como um museu que se move: história oral, ferramentas, couro, desenhos, cores, artesãos e aprendizes entrelaçados como partes de um mesmo corpo cultural.

A pesquisa também passou pelo Geossítio Ponte de Pedra, onde a geologia esculpiu monumentos naturais que remetem às eras profundas da Chapada do Araripe, e pelo Museu do Ciclo do Couro, que revela a trajetória histórica, simbólica e econômica dessa arte na região.
Nova Olinda se tornou, assim, um território-síntese: onde pedra, couro, voz e gesto se conectam — e onde cada mestre, sobretudo Espedito Seleiro, guarda e reinventa a alma do Cariri para o futuro.
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