CINE-ARQUEO-
- Diego Zanotti
- 18 de ago. de 2025
- 1 min de leitura
CINE-ARQUEO-PSICOLOGIA
O gesto clínico, o gesto do escavador e o gesto do cineasta partilham a intenção de tornar visível o que estava oculto, seja um trauma, uma civilização ou uma narrativa.

Primeiro projeto de desenvolvimento de roteiro que eu fiz na vida acaba de completar um ano de aprofundamento. Trata-se das pesquisas da segunda temporada de Resto do Mundo. Me transformou de várias maneiras. Uma delas é descobrir que trabalho especialmente com vestígios.
Ali, bem de frente para um dos primeiros vestígios rupestres da humanidade, no Parque Nacional do Peruaçu/MG, vejo o traçado de um casal de conchinha, sugerindo um ato sexual ao lado de um arbusto. Fiquei em choque — estar diante de uma das expressões de amor e sexualidade mais antigas da humanidade me atravessou profundamente. Vejo tanta gente passar por aquele lapso de tempo e desejo, projetar sentidos, contar histórias hipotéticas, recriar narrativas sobre aquela camada de tempo. Mas a grande verdade é que ninguém terá acesso à motivação originária — a não ser pela via do simbólico. Um mistério nessas comunicações sempre sobra. É estranho trabalhar em direção ao segredo do tempo num momento da vida em que tudo parece se limitar à rapidez, à racionalidade ansiosa, ao achatamento do imaginário pelas telas.
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