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Os Povos Santeros - Cuba

Tipo de projeto

Fotografia / pesquisa

Data

maio 2009

Local

Ilha de Cuba

Minha viagem a Cuba foi concebida como apresentação de um ensaio documental emergente sobre os povos da diáspora (Sujeitos de la Diáspora y el Fomento de la Memoria de las Ciudades Modernas ) — no marco do evento Imagen Identidad y Memoria, realizado em Santiago de Cuba, onde nosso projeto ganhou outra dimensão ao ser incorporado nos Cadernos da UNESCO. A ilha de Granma — oficialmente Cayo Granma — tornou-se o terreno simbólico e prático dessa virada: um lugar pequeno na baía de Santiago, mas amplo em potência simbólica.

Cayo Granma é um islote que se eleva sobre a entrada da baía, com casas de madeira sobre estacas, ruas estreitas, comunidades que pescam, moram e habitam o mar e a terra. Antes da Revolução, era conhecido como Cayo Smith, parte de uma zona de veraneio ligada a mansões de norte-americanos. Após os anos revolucionários, a população local transformou o lugar em lar, reinventando o sentido de comunidade, de ocupação e de identidade cultural.

Na ilha, realizei meu primeiro ensaio documental fotográfico: experimentei ouvir imagens, dialogar com as casas, o mar, os dias iguais que, na repetição, revelam o extraordinário. Percebi ali — em lancha cruzando a baía, em pesca ao amanhecer, em vozes que sorriem todas numa mesma língua silenciosa — que o documentário pode ser gesto de presença, antes de tudo. Essa imersão gerou o embrião da minha exposição Cine‑grafias da Subjetividade, onde o olhar registra o que não se vê, escuta o que não é dito, filma o que pulsa por debaixo da superfície.

Em Cuba, investiguei também a complexa trama da Santería — práticas religiosas de matriz africana que se entrelaçam com a diáspora, a memória e a identidade dos povos do Caribe. Esse movimento abriu-me à percepção de que o documentário não está apenas em imagens ou forma, mas na constelação de relações — pessoas, espiritualidades, territórios, vozes — que o atravessam.

Essa etapa cubana transformou-se em ponto de viragem: pessoal e profissional. Na ilha, no evento, nos encontros com exilados, descendentes, artistas, pescadores e comunitários, aprendi que o corpo do documentário mora na escuta, no rastro, no silêncio que antecede a fala. Hoje, cada trabalho que faço passa pela lente desse território-virada: Cuba, Granma, diáspora, mar, imagem, memória — e a convicção de que filmar é antes de tudo habitar, perguntar, render-se.

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