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Grande Sertão: Veredas
Tipo de projeto
Pesquisa / Cinema documental / práticas comunitárias / educação formativa
Data
2015 - atual
Local
Sagarana, Vale do Urucuia, Vale do Carinhanha, Mosaico Sertão - Peruaçu
Minhas pesquisas nas pequenas vilas do Cerrado e da Caatinga nasceram do desejo de vivenciar como a oralidade sertaneja / roseana continua viva no cotidiano dos povos que habitam o território do Grande Sertão. Durante o tempo em que vivi na vila de Sagarana, descobri que cada gesto, cada conversa ao entardecer, cada fala atravessada de silêncio guarda rastros de Diadorim, ecos de Guimarães Rosa e vibrações de um Brasil que pensa o mundo a partir das margens.
Foi ali que se disparou minha dissertação de mestrado, nascida da caminhada eco-literária O Caminho do Sertão (segunda edição / 2015) por 7 dias pelas vilas ao redor do Vale do Urucuia e Carinhanha, e das influências de filmes mineiros que pulsavam no meu imaginário — sobretudo Girimunho (2011) de Clarissa Campolina, que se passa na região de São Romão e abriu uma nova percepção sobre o tempo, o mito e a vibração das imagens do sertão.
Tudo começou no projeto Caminhos do Sertão – 2ª edição –, que, sem que eu percebesse, se tornaria o ponto de partida para um conjunto de encontros, amizades e obras. A partir dele, vieram os primeiros convites, parcerias e desdobramentos criativos. Nos anos que vivi e retornei ao território, participei e ajudei a organizar iniciativas como:
• Festival Sagarana (2015)
• Sertão Raízes (2017)
• Aulas de Audiovisual de Base Comunitária, na Prefeitura de Arinos (2017)
• CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema (2017 – atual)
• Meu Cinema, Nosso Território (2020 – atual)
• Residências Artísticas – Reverberações Audiovisuais do Sertão (2023–2024)
E foi também nesse chão que nasceram filmes como Conversa Fiada (2017), Derradeiro Catimbó (2018), Andarinas (2019), até chegar ao meu primeiro longa-metragem premiado, Gerais da Pedra (2023) — e agora, ao filme em desenvolvimento, A Sede do Sol, novamente enraizado nesse território-matriz.
O sertão me deu mestres, irmãos, parceiros e histórias; deu forma à minha escuta e à minha visão política; ensinou-me que criação é, antes de tudo, convivência. Sagarana e suas vilas são berço de encontros, de afeto e de pensamento crítico, um solo onde projetos florescem porque são irrigados por comunidade, amizade, generosidade e terra.
Esse lugar segue sendo o ponto irradiador de muito do que faço — uma escola viva onde aprendi que o cinema, para nascer, precisa antes sentar, escutar, caminhar e confiar no coração das pessoas.

































































