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Aldeia Multiétnica
Tipo de projeto
Documentário e fotografias para o acervo do Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros
Data
julho 2017
Local
Chapada dos Veadeiros - GO
mersão documental e convivência com múltiplas nações indígenas**
A Aldeia Multiétnica, na Chapada dos Veadeiros, é um território de encontro raro — um espaço onde diferentes povos indígenas do Brasil se reúnem anualmente para compartilhar saberes, rituais, cantos, práticas de cuidado, modos de vida e visões de mundo. Não é um festival nem um evento: é uma convivência profunda, um pacto temporário de presença, respeito e troca entre povos que carregam algumas das cosmologias mais antigas e sofisticadas do planeta.
Ali estive imerso entre diversas etnias brasileiras, cada uma trazendo sua língua, sua estética, seu modo de andar, cantar, cozinhar, benzer, plantar e se relacionar com o mundo. Na Aldeia, a singularidade de cada povo não se dilui — pelo contrário, se intensifica: a qualidade de presença dos rituais, a forma como cada grupo organiza o espaço, cuida do fogo, se ornamenta, marca o corpo, canta ao amanhecer ou ao anoitecer. Tudo ali é gesto de mundo.
Essa convivência ampliou não apenas meu conhecimento, mas minha sensibilidade para a cosmogonia de cada etnia — suas narrativas de origem, suas relações com espíritos, animais, águas e montanhas; sua compreensão do corpo como extensão da Terra; seu entendimento do tempo como espiral; sua ética profunda de reciprocidade e cuidado.
Ao mesmo tempo, a Aldeia se tornou para mim um laboratório crítico de práticas no audiovisual. Trabalhei lado a lado com o Coletivo Brasileirando, fotógrafos, cineastas, pesquisadores e artistas que habitam esse território de criação. O exercício ali não era simplesmente filmar, mas aprender a filmar com: trocar, ouvir, errar, corrigir, respeitar o tempo de cada ritual e a autorização de cada pessoa. E, principalmente, aprender a não filmar também.
Essa experiência transformou a minha prática documental. Ali, aprendi que filmar povos originários não é extrair imagem — é participar da relação, é entrar num pacto ético de presença e silêncio. A Aldeia Multiétnica me ensinou que cada etnia produz uma estética própria do olhar, da postura, da luz e do som — e que só é possível registrar isso se o corpo do cineasta estiver disposto a escutar antes de enquadrar.
A imersão permanece como um importante capítulo da minha trajetória: um encontro que reordenou a forma como percebo território, ancestralidade, cinema e futuro.































