DOC Conversa Fiada na REDE MANUAL – cultura feita à mão – junho/2019

por Maju Duarte

A poeira, as árvores tortas e o algodão do sertão de Minas Gerais e do Goiás compõem o cenário da história de 15 fiadeiras do documentário Conversa Fiada (Urdida, Tinginda, Tecida…), de Dinalva Ribeiro e Diego Zanotti. O curta-megragem de 2017, exibido no Festival CineBaru, na Vila Sagarana (MG) no ano passado e adquirido pelo SescTV para exibição neste ano, relata em prosa e imagem a vida destas fazedoras de tecido e coragem. Um projeto fruto da pesquisa de Dinalva Ribeiro e parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


Onde começa a linha e termina a mulher? Se é que uma começa e a outra termina em qualquer dado e específico momento. Esta é uma de tantas questões levantadas aos espectadores. Para o cineasta Diego Zanotti, esse documentário tem como fio derradeiro um saber e fazer manual que se desnovela nos contratempos e alegrias do dia a dia destas mulheres sertanejas. Suas necessidades, paixões e percalços perante, e na maioria das vezes, os homens da comunidade e seus preconceitos.

“Quando a linha embaraça, a gente tem que parar para desembaraçar. E a vida é do mesmo jeito”, explica Dona Maria, orgulhosa ao reforçar que o tear é do início do mundo. E por aí, caminham cenas de mãos, terraços e toda uma maquinária (e engrenagem) necessária para não se perca o fio da meada.

DIDS3324.jpg
DIDS3319.jpg

ONDE COMEÇA A LINHA E TERMINA A MULHER?

São fiadeiras de Sagarana, Riachinho, Uruana de Minas, Unaí, Planaltina. Vilas menos de mil habitantes, na lonjura dos olhos e serviços das metrópoles, mais perto da sabedoria popular das raízes e ciclos da natureza. “Elas ficaram surpresas quando nos viram com a câmera. E foram generosas ao compartilhar com a gente histórias preciosas de vida”, relembra Zanotti.

Divulgação 2 - Fotos Diego Zanotti.jpg

Guiados pelo seu olhar, vamos pousando no ombro de Evangelina, Nair, Solange, Ledina, Virgínia… Mulheres que cuidam das suas casas e famílias, mas que preservam um tempo precioso para colher o algodão da terra, fiar e tecer. Aprendemos sobre um tempo e espaço particulares às fiadeiras. Um cenário onde, definem os documentaristas nas últimas legendas do filme, “o algodão é o argumento que nos une em rodas, em conversas, em trocas”.

Assista à Conversa Fiada: https://youtu.be/3Ia1sC8a29I

Share your thoughts