Hoje eu me vejo em travessias, conduzido por cinco anos de experiência e prática nômade com propósito. Ando por jornadas híbridas entre o cinema, fotografia, processos integrativos de consciência e transcendência, a partir de projetos que desenvolvam encontros de culturas e subjetividades.

Sempre estive em busca de condições mais sinceras e práticas de sustentar nossa rede global de experiência no nosso próprio corpo, nos nossos próprios atos e na minha prática singular de reinvenção do mundo a cada dia.

Foi pensando nisso que me coloquei em cheque (por vezes em “choque”) numa transformação drástica de realidade para uma nova cartela de experiências até então ocultas de minha visão de vida por demais focada e entediante naquela época. Eu mal sabia que isso fundaria um estilo dinâmico de vida e de trabalho, encaixado no que eu acredito e busco.

Foi nesse momento que o Laboratório de Experiências começou a surgir. Tantos anos experimentando intensamente as mais variadas culturas, vivências, rituais e abordagens psicológicas que hoje transformaram-se em matéria de empatia e escuta sensível tanto comigo mesmo quanto no âmbito coletivo-planetário. Atualmente circulo o país com grupos e workshops voltados para as práticas de consciência corporal a partir da abordagem psicológica de Wilhelm Reich e a Gestalt Integrativa de Perls.  Também assino a direção dos documentários longa-metragem Gerais da Pedra, em torno de um Grande Sertão roseano escondido na poeira da rotina sertaneja (em breve) e Conversa Fiada, sobre as mulheres fiadeiras e xamãs do sertão geraizeiro profundo.

Pesquisas

Artes, Cultura, Etnografias e Processos Poéticos Interdisciplinares

Hoje busco fundamentalmente a integração. A sincronização de tantas jornadas na evolução do cotidiano é o elemento crucial nas minhas práticas e investigações atuais. A partir de um mergulho etnográfico de alguns anos por comunidades quilombolas, indígenas, sertanejas, quechuas e por culturas de países latinos como Cuba, Peru, Argentina, Uruguay, comecei uma pesquisa prática em torno dos modos ancestrais e contemporâneos de saúde e presença, tomando como principal ferramenta o audiovisual como trabalho imersivo nas narrativas vivenciais. Atualmente, minhas pesquisas de campo seguem pelas linhas da vida, em torno dos temas que envolvam:

  • Geopoéticas do espaço e da mobilidade; errância; peregrinação; psicogeografia;  geografia afetiva; travessias e culturas de pé
  • Gênero (gender), sexualidade e as poéticas da (r)existência
  • Cinema e Transcendência
  • Tecnologias Ancestrais no Contemporâneo
  • Bioeletricidade, respiração e fluxo vegetativo
  • Sexologia e práticas somáticas
  • Exercícios Corporais Biodinâmicos
  • Preparação de elenco para cinema, teatro e TV
  • Audiovisual de Base Comunitária
  • Educomunicação e Pedagogia Griô
Captura de Tela 2018-04-15 às 17.05.04

Formações e produções acadêmicas

  • Mestre em Artes, Cultura e Linguagens pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), concentração em Processos Poéticos e Interdisciplinares, na linha de pesquisa Cinema e Audiovisual (2014 – 2016)
  • Graduado em Psicologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, CESJF- MG (2004 – 2009)
  • Formação em Clínica Corporal Reichiana, Somatopsicodinâmica e Vegetoterapia – Espaço Somato – Rio de Janeiro (2012 – 2014)
  • Integrante do Projeto de Pesquisa Cartografia do Documentário Brasileiro, sob coordenação da Prof. Dra. Karla Holanda de Araújo, que visa a catalogação da produção documentária produzida no Brasil, desde os primórdios até os dias atuais. (2014 – 2016)
  • Linha de pesquisa: Cinema, Arte e Experiência.
  • Grupo de Pesquisa: Documentário e Fronteiras.

[DISSERTAÇÃO] - Geopoéticas do espaço e da mobilidade: performances de trânsito no cinema


ONGARO, Diego B. Zanotti. Geopoéticas do espaço e da mobilidade: performances de trânsito nos filmes de Clarissa Campolina. 110 f. Dissertações (Mestrado em Artes, Cultura e Linguagens) – Instituto de Artes e Design, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2016.

 

O cinema, como ação de um transitar político no mundo, estampa nos nossos próprios corpos os efeitos de uma intensa mobilidade contemporânea. Mas o que, de fato, move o cinema? Sendo uma prática de espaços, o filme cria o seu próprio itinerário de passagem cuja emoção é o seu principal afeto de transporte – imagens e sujeitos mobilizam e são mobilizados pelo filme. Pautados nesse cinema de afetos, nos aliamos ao trabalho da diretora mineira Clarissa Campolina, a partir dos filmes O Porto, Trecho e Girimunho. Com eles propomos um itinerário especial em torno de questões sobre os espaços esvaziados pelo poder hegemônico, sobre o deslocamento errante e a força de um “movimento menor”. Reflexões que trazem à tona o deslocar como potência, como performance de trânsito nos espaços da tela e da vida que não cessam de apresentar novas configurações e conteúdos, que nos convidam a reconhecer as geopoéticas que redesenham, a todo momento, a nossa própria travessia no mundo.

 

Palavras-chave: Cinema; Espaço; Mobilidade; Geopoética; Afetos.

[ARTIGO] - A dor exata do amor (Relato de caso roteirizado para cinema em 2008)

ONGARO, Diego. A dor “exata” do amor. Revista Epistemo-somática,  Belo Horizonte,  v. 4, n. 2, p. 141-145, dez, 2007 – ISSN impresso. A idéia deste relato garante um olhar não somente para o doente, mas também para o familiar. É por “olhar além” do paciente que chegamos, muitas vezes, ao seu acompanhante. O autor relata o caso de um engenheiro que via p

ela lógica dos números o ilógico em sua esposa internada na UTI: a doença dela. Além disso, a experiência revela a limitação de um amor pela dor e mostra até onde vai um coração escravo do dever. 

                                         Palavras-chave: Unidade de Terapia Intensiva, Neurose Obsessiva, Dor, Amor

***[UNESCO] - Sujeitos de la Diáspora y el Fomento de la Memoria de las Ciudades Modernas (Cuba)

 

 

 

 

ONGARO, Diego; BARRETO, Lucas Soares ; GUIMARAES, Lara Linhalis ; BARRETO, Pedro Soares ; REIS, Vanessa Alkmin . Sujeitos de la Diáspora y el Fomento de la Memoria de las Ciudades Modernas – VI Encuentro Internacional Ciudad Imagen y Memoria – Imagem e Identidad – Cuba. 2009.

El Encuentro Internacional “Ciudad Imagen y Memoria” ha desarrollado 9 ediciones, con temas relacionados con la conservación y la intervención en el patrimonio, persiguiendo como objetivo principal propiciar el intercambio científico e investigativo entre profesionales de diversas instituciones que trabajan el tema del patrimonio, participan en el mismo Arquitectos, Ingenieros Civiles, Historiadores del Arte, Historiadores, Filólogos, Sociólogos, entre otros.

Temática: Investigaciones y experiencias sobre la puesta en valor del patrimonio: territorio, sitios, ciudades, centros históricos, inmuebles, paisajes naturales y culturales, bienes muebles, ritos, tradiciones, constumbres. La puesta en valor del patrimonio como recurso turístico.

[ARTIGO] - Corporeidades no extracampo: análise do filme "A Falta que me faz"

ONGARO, Diego. Corporeidades no extracampo: análise do filme “A falta que me faz”. In: I Seminário de Pesquisa em Artes, Cultura e Linguagens, 2014, Juiz de Fora. Cadernos de Resumos e Programas do I Seminário de Pesquisas em Artes, Cultura e Linguagens, 2014. v. 1. UFJF.

Este artigo pretende investigar as relações entre a imagem cinematográfica e seu extracampo a partir da análise do filme documentário A Falta Que Me Faz (2009) de Marília Rocha. A corporeidade presente nas falas e nos corpos de seus personagens expande a experiência fílmica para além da tela, para o fora de campo, através das constantes referências ao desejo e espera pelo toque, pelo amor e pelo casamento jamais realizados. Pelo amor impossível, cicatrizes e navalhas em carne viva contam suas histórias. Tais referências criam uma região de afetos que transborda a imagem fílmica e que nos leva para as relações com o extracampo. Para realizar tal investigação, trabalhamos com a noção de corporeidade cinemática a partir do livro The Cinematic Body (1994) de Steven Shaviro. Pensamos no corpo cinemático como uma zona de intensidade afetiva, um corpo com uma capacidade alarmante para a metamorfose, para transfiguração, que se alarga para além da imagem visível e transborda as relações com o extracampo. Se o extracampo é algo percebido, constatado, sentido e teorizado, se é uma presença, carrega em si seu próprio caráter sensorial. Podemos investigar, então, que caráter tátil, sensorial, ou, ainda mais, que corporeidades podem ser observadas nas relações da imagem com suas extensões para além do enquadre. Estaria tal questão possibilitando-nos pensar numa noção de corporeidade que habita o extracampo, num possível corpo desfigurado, que desfaz-se do organismo, que deixa de ser figurativo, de representar um objeto, narrar uma história, para liberar-se da figura e tornar-se força? Falamos de um corpo presente, porém incapturável. Um corpo de fora, porém jamais exilado, visto que se atualiza constantemente nas imagens em movimento: uma corporeidade que deixa rastros. Não somente o corpo como suporte físico, mas como multiplicador de forças. Forças que rondam as histórias das protagonistas de A Falta Que Me Faz (2009) de Marília Rocha e que revelam suas intensidades na expressividade das jovens. Cortes, desenhos e cicatrizes na pele das personagens do filme prolongam as suas histórias com um afeto que ultrapassa a tela.

[MONOGRAFIA] - Cine-grafias da subjetividade: diálogos entre a Psicologia da Gestalt e o Cinema

ONGARO, Diego. Cine-grafias da Subjetividade: diálogos entre a psicologia da gestalt  e o cinema. 41f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia). Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.

 

Este trabalho teve seu início a partir da necessidade de ampliar as possibilidades reflexivas acerca do sujeito por meio da evidência de uma subjetividade “composta em cenas” através do Cinema Documentário e da teoria da Gestalt. É uma abordagem da subjetividade integrada em um dos componentes mais evidentes aos olhos humanos e ao mesmo tempo tão revelador: a imagem. Além disso, procurou-se analisar quais fatores este gênero específico do cinema, o Documentário, traz em sua linguagem que agregam com precisão a subjetividade na representação do Real. Esta reflexão, traduzida em um encontro entre o espectador e o filme, trouxe à tona um diálogo promotor de novas possibilidades de contato entre o saber psicológico e a arte cinematográfica produtora de sentidos. É neste ramo que podemos chegar próximo de uma arte da subjetividade, um caminho visivelmente sensível às possibilidades que a imagem traz. É nele que experienciamos o mergulho numa composição inédita para um fato ou uma realidade muitas vezes sempre à vista. É um encontro do gestaltista com a intimidade que cerca cineastas, atores sociais e espectadores. Uma (des)construção da verdade, da realidade. Neste sentido, a promoção do diálogo psicológico com as novas formas de produção de subjetividades se faz e fez presente durante todo o processo de discussão levantado pela argumentação deste trabalho. É necessário que a Psicologia seja capaz de compreender a dinâmica subjetiva envolvida no processo peculiar do Cinema de retratar a realidade em sua composição mais singular. Para isso, é importante que se verifique as emergências fundamentais do campo estético da sétima arte para que novos argumentos sejam incluídos como ferramentas de acesso privilegiado às cine-grafias da subjetividade. Por fim, o estudo inter-subjetivo entre o espectador e as imagens em movimento é um conjunto de argumentos por meio do qual a realidade psicológica pode ser representada e, uma vez representada, lida e trabalhada. Assim encontramos neste campo interdisciplinar um processo que promove a afirmação de que o Cinema e a Gestalt permitem ver muito mais que a presença de algo. Trata-se de um trabalho baseado na evidência apurada de uma Cine-grafia da Subjetividade, composta por expressões e comportamentos que nos convocam a reconhecer o que há de Real na imagem e o que há de ficcional em toda existência humana.

 

Palavras-chave: Psicologia da Imagem; Gestalt; Cinema; Documentário; Subjetividade.

Formações complementares

  • Formação em Zen Counseling – Gestalt  com Svagito Liebermeister, 2018 – Osheanic International – Fortaleza – CE.
  • Formação em Terapêutica Nativa com Sthan Xanniã Tehuantepeltl, 2017 – Aos Filhos da Terra – São Paulo – SP.
  • Formação em Terapias Integradas de Respiração com Deva Nishok, 2017 –  MG.
  • Formação em Renascimento (Rebirthing) com Amano Bela, 2016 MG.
  • Formação em Terapêutica Tântrica com Deva Puja, Vajra e Nishok, 2016 – MG.
  • Curso Karuna Ki  com Roberto Maris, 2012 – Juiz de Fora – MG.
  • Capacitação em Reiki Usui Tibetano Nível 3, qualificação internacional Advanced Reiki Training com Roberto Maris, 2007 – Juiz de Fora – MG.
  • Curso de Reiki Usui Tibetano Nível 1 e 2 com Roberto Maris, 2006 – Juiz de Fora – MG.

Demais formações, cursos e práticas:

  • Monitor e participante do Curso Mobilidade no Cinema Latino-Americano com a Profa. Sara Branellero (Leidein University – Holanda) Universidade Ferderal de Juiz de Fora. 2014.
  • Monitor e participante do I Colóquio Brasileiro Cinema de Autoria Feminina. UFJF, 2014.
  • Contemporâneos Nós-Brasil com Roberto C dos Santos. Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF. 2014
  • Formatação de Projetos para TV.  Festival de Cinema de Tiradentes, 2014.
  • Curso de Arteterapia. Portal Educação, PE, Brasil. 2012
  • Direção de Atores. Festival de Cinema Primeiro Plano, Juiz de Fora, 2011.
  • Curso de Psicofármacos – Implicações Práticas. Núcleo de Estudo Interdisciplinar em Saúde Mental, NEISME, Brasil. 2010.
  • Fazendo Teatro. Casa de Artes Laranjeiras, CAL, Rio de Janeiro, 2010.
  • VI Encuentro Internacional Ciudad Imagen y Memoria – Imagem e Identidad – UNESCO – Santiago de Cuba – Cuba. 2009.
  • A Técnica Psicanalítica e a Estrutura do Sujeito. CESJF, Juiz de Fora, 2009.
  • Extensão Universitária: Fundamentos da Psicanálise. CESJF, 2007.
  • O Lugar de Deus e do Diabo na Psicologia Junguiana e na Psicanálise,CES,2008.
  • Neuropsicologia. Hospital Monte Sinai, Juiz de Fora, 2007.
  • IV Congreso Latinoamericano de Psicología de la Salud – São Paulo. 2007
  • XI EMPAH – Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar. SP 2007.
  • Curso de Psicologia Hospitalar. Hospital Monte Sinai, Juiz de Fora, 2006.
  • Memória Implícita e Sua Relação com a Emoção. CESJF, Brasil. 2005
  • Hipnose e Terapia Ericksoniana. Encontro Juizforano de Psicologia, ENJUPSI, Brasil. 2005.
  • A Abordagem Centrada Na Pessoa de Carl Rogers. ENJUPSI, 2005.
  • Psicologia Profunda, Arquétipos e Símbolosde Carl Gustav Jung, 2005.
  • Bases do Pensamento Reichiano. CESJF, 2005.

na mídia

A ERA DOS AVESSOS

matéria completa publicada no jornal Tribuna De Minas

“O cinema no qual acredito hoje é aquele praticamente sem roteiro, consequência de um encontro ou situação, algo bem vulnerável”, comenta o diretor do curta-metragem ficcional “Entre Parênteses”, sua única incursão pela ficção. Única?

A disposição para ouvir histórias sempre esteve na minha vida. A psicologia clínica é uma forma de mergulhar com o outro em narrativas. Para mim, todas são grandes ficções. Mas de qual eu me aproprio?“,

questiona ele, que se virou do avesso para encontrar as respostas.