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Cusco
01 de agosto de 2014

Por La Gran Madre Tierra - Ritual Pachamama no Peru

uma experiência espiritual em Saqsawayman

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Todo dia 01 de agosto o Peru colore as ruas, as casas e as roupas para saudar o novo ciclo da Grande Mãe Terra, Pachamama. O ritual é considerado o mais antigo dos Andes, anterior até mesmo ao próprio culto a Inti, o deus Sol dos Incas. Pachamama foi fortemente venerada na época pré-hispânica pelo povo inca e é evidente que sua tradição como referência espiritual no coração e na alma de seu povo permanece até hoje. O cuidado e o amor pela Terra se encontram nas veias dos Vales e das Filhas e Filhos.

Durante o ritual, alimentos orgânicos em geral, especialmente frutas coloridas e maduras, são despejados numa imensa fossa preparada para receber os “gratos” e os “pagos” para a Mãe Terra. “Pachamama está faminta e tem sede”. Frase que se repetiu durante todo o ritual e que coloca cada sujeito de frente para sua íntima necessidade da terra, cuja revolução nasce do próprio anseio pelo bem deste Todo. Escolhemos três folhas de coca, as mais viçosas e inteiriças, e sopramos em direção ao seio de Pacha. Ao final, a fossa é tampada por terra enquanto uma fogueira queima e defuma os pedidos à Mãe.

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“A Terra tem fome e sede”

Foi o que eu ouvi e compreendi pelas vozes das xamãs quechuas do interior do Peru. A Terra, como um universo integrado, feminino e único, Pacha, seria o nosso próprio corpo – mantemos o movimento enquanto uma satisfação leva à outra.

A transcendência estaria, pois, para elas, na ritualística dos prazeres verdadeiros, dia após dia, como selo de entrada na real natureza de nosso corpo: a descoberta inevitável do prazer voluntário e afirmativo.

Todo dia 1 de agosto, filhas e filhos de Pacha abrem gigantescos buracos na terra e os preenchem com várias oferendas sensoriais, sensuais e gustativas cujos próprios corpos também usufruem por prazer. Todxs aguardam pelo gozo da Deusa durante o ano seguinte, enquanto satisfazem-se pelo simples ato de ofertarem-se umas às outras ou uns aos outros, enquanto seres embalados por um útero total.

É pela satisfação e não pela falta, que criamos nossa corporeidade cotidiana, nosso afluxo vital, nosso contorno. 

Não podemos esquecer disto neste mundo de concreto que nos distancia da respiração do planeta. A experiência do ritual coletivo nos coloca na fruição do organismo inteiro, mutável e dinâmico. Me faz acreditar que somos frutos de onde nascemos – não nascemos em cidades, maternidades e hospitais: nascemos no Ventre.

É como lembrar o tempo todo que a gente nasce e renasce na barriga do mundo.


Logo abaixo estão disponíveis algumas fotos do ritual que participei ano passado, no Templo do Sol, ruína de Saqsawayman, no dia 01 de agosto de 2014.

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1.Comment

  1. dizpsi
    setembro 8, 2016 / Reply

    Maravilhada !!

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